Sábado, 10 de Abril de 2021
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Se país vacinar 1 milhão por dia, 76% teriam uma dose em 5 meses

Com sistema de vacinação estruturado, Brasil tem capacidade de imunizar 1 milhão de pessoas por dia; falta de doses é entrave

21/03/2021 21h31 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação Umirim Notícias Fonte: R7 - Hysa Conrado, do R7
O Brasil já vacinou mais de 80 milhões de pessoas em apenas três meses contra o H1N1 - (Foto: Photo Press/Folhapress)
O Brasil já vacinou mais de 80 milhões de pessoas em apenas três meses contra o H1N1 - (Foto: Photo Press/Folhapress)

Caso o Brasil utilizasse sua capacidade total de vacinação, de 1 milhão de pessoas por dia, em cinco meses toda a população adulta receberia ao menos a primeira dose das vacinas contra a covid-19, o equivalente a mais de 161 milhões de pessoas. Isso significa 76% do total de brasileiros, o que, segundo a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, divulgadora científica pela Rede Análise COVID-19, seria um passo importante para desafogar o sistema de saúde do país, que enfrenta um colapso com a falta de leitos de UTI em todos os Estados.

“Se aliarmos essa capacidade de vacinação com as medidas de enfrentamento, como usar máscara, fazer higienização, manter o distanciamento físico e evitar aglomerações, poderemos observar um impacto na hospitalização e na transmissão do vírus”, afirma Mellanie. Em Israel, um dos primeiros países no mundo a iniciar a campanha de vacinação, houve uma queda de 60% no número de internações entre idosos vacinados contra a covid-19. Vale ressaltar que a imunização completa só ocorre após a aplicação da segunda dose.

A pediatra Flávia Bravo, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), destaca que o país é referência mundial em imunização e que durante a epidemia de H1N1, em 2010, vacinou mais de 80 milhões de pessoas em apenas três meses. “Já conhecemos a capacidade do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Então, a princípio, o PNI seria capaz de vacinar pelo menos 1 milhão de pessoas por dia, e aí aumentar essa capacidade. O entrave é a desorganização na aquisição de vacinas”, avalia.

A especialista também chama a atenção para a campanha de vacinação que ocorre nos Estados Unidos, na qual mais de 2,5 milhões de pessoas têm sido imunizadas por dia. “Se eles [os EUA] estão conseguindo vacinar mais pessoas sem a menor experiência e a estrutura que nosso PNI sempre teve, eu suponho que o Brasil também seria capaz. Precisamos aumentar o que já somos capazes, isso vai determinar o tempo que vamos conseguir vacinar a população”, afirma.

Apenas 11,2 milhões de brasileiros receberam a primeira dose das vacinas (CoronaVac e vacina de Oxford) liberadas para uso emergencial pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde janeiro deste ano. O número de pessoas que receberam a segunda dose é ainda menor, apenas 2,7 milhões, o que corresponde a 1,3% da população total, de acordo com o Vacinômetro do R7. Neste ritmo, o país levaria dois anos e meio para aplicar a primeira dose da vacina contra a covid-9 em todos os brasileiros e quatro anos e meio o esquema completo, de duas doses, segundo o painel "Monitora Covid" da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). 

Segundo a biotecnologista Larissa Reis, doutoranda em genética e biologia molecular, que também integra a Rede Análise COVID-19, a dificuldade do país em conseguir o desempenho já atingindo em outros momentos, no entanto, está na alta demanda por vacinas que parte de uma procura em escala global. 

“O que nos impede é que não temos vacinas disponíveis, porque a estrutura de vacinação e de distribuição a gente tem. É uma pandemia na qual todos os países querem as vacinas o quanto antes, e os laboratórios têm uma capacidade limitada de produção. O Brasil acabou ficando atrasado na questão de garantir as doses das vacinas, não agilizou os acordos, como no caso da Pfizer [única vacina com registro definitivo no país] e acabou ficando no final da fila”, afirma.

Imunidade de rebanho

De acordo com a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, ainda não é possível prever quando o país atingirá uma imunidade coletiva contra o coronavírus. “Isso só acontece quando mais de 70% das pessoas estão imunizadas com as duas doses das vacinas, então se cria uma barreira imunológica que protege até os que ainda não puderam se vacinar”, afirma.

Ela explica também que a imunidade de rebanho não acontece quando há uma disseminação desenfreada do vírus e, por consequência, um número maior de pessoas infectadas. “O que aconteceu em Manaus é um exemplo de que isso não funciona”, relembra. A cidade foi a primeira no país a enfrentar o colapso do sistema de saúde durante a pandemia. 

“Quando se diz que a imunidade de rebanho acontece a partir da infecção, você está assumindo que esse grande número de óbitos é aceitável, assim como as internações e possíveis sequelas da doença. Estamos vendo que as variantes driblam a resposta imunológica das pessoas que já contraíram o vírus, então as pessoas só vão se proteger quando se vacinarem", afirma. 

 

 

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