Quarta, 15 de Julho de 2020
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Internacional SAÚDE

Novo tipo de H1N1 com "potencial pandêmico" é encontrado em manada de porcos na China

Pesquisadores sugerem medidas urgentes de monitoramento de suínos, para evitar propagação do vírus.

30/06/2020 23h00 Atualizada há 1 semana
Por: Redação Umirim Notícias Fonte: O Povo
Se necessário, vacinas contra gripe podem ser adaptadas
Se necessário, vacinas contra gripe podem ser adaptadas

Uma nova linhagem do vírus influenza, causador da gripe, foi identificada em porcos na China. Segundo pesquisadores, a nova cepa tem “todas as características essenciais de um vírus pandêmico candidato” e, por isso, precisa ser monitorada “rigorosamente” e “com urgência”. A recomendação é uma medida preventiva, já que o vírus ainda não apresentou grande ameaça. Apesar disso, as vacinas contra gripe podem ser adaptadas para combater o novo vírus, se necessário. 

A preocupação surge do potencial que o vírus G4 EA H1N1, como foi denominado, tem de infectar humanos. Isso porque as linhagens utilizadas em vacinas contra a gripe, aplicadas anualmente nos humanos, não protegem contra o G4 EA H1N1. Para chegar nessa conclusão, os pesquisadores analisaram a reatividade cruzada dos anticorpos contra o novo vírus.

A imunidade cruzada ocorre quando o sistema imunológico protege o corpo de um vírus ao qual nunca teve contato, mas que apresenta semelhanças com outros vírus já conhecidos pelo sistema. No caso do Sars-Cov-2, por exemplo, um estudo encontrou indícios de imunidade cruzada contra a Covid-19 em pessoas que já tinham se infectado com outros coronavírus, como o Sars-Cov e o Mers. Entenda o que é imunidade cruzada.

"No momento estamos distraídos com o coronavírus e com razão. Mas não devemos perder de vista novos vírus potencialmente perigosos”, explicou Kin-Chow Chang, um dos autores do estudo, em entrevista à BBC. A descoberta vem, inclusive, de um trabalho de vigilância sistemática dos vírus influenza em suínos.

Os pesquisadores realizaram testes sorológicos em pessoas que trabalham com porcos, como em matadouros e na indústria suína, para avaliar a infectividade em humanos. Pelos resultados, 20,5% dos humanos (nove de 44 testados) deram positivo para o G4 EA H1N1, enquanto 10,4% dos porcos (35 de 338 testados) estavam infectados. A partir das taxas, o estudo concluiu que a nova linhagem do vírus adquiriu maior infectividade entre os humanos.

“Os porcos são hospedeiros intermediários para a geração do vírus da gripe pandêmica. Por isso, a vigilância sistemática dos vírus influenza em suínos é uma medida fundamental para avisar o surgimento da próxima gripe pandêmica”, alerta o artigo publicado nessa segunda-feira, 29, na revista acadêmica estadunidense Proceedings of the National Academy of Sciences.

Gripe suína

A gripe suína já é familiar, sendo reconhecida pela primeira vez na pandemia de 1919. Ela circula entre os humanos como uma gripe sazonal e todo ano as pessoas precisam ser vacinadas contra a gripe. Ela é causada pela cepa (linhagem) do vírus influenza H1N1, que começou em porcos - daí o nome.

Em 1919, a doença começou a ser registrada inicialmente no México e depois se espalhou pelos Estados Unidos. Em 2009 houve outro surto de H1N1, que não foi tão mortal quanto a pandemia de 1918 a 1919. Ainda assim, provocou 2 mil mortes no Brasil. O vírus era altamente contagioso e se espalhou rapidamente, o que fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitisse um alerta de pandemia em abril de 2009.

No caso da G4 EA H1N1, a cepa é semelhante à da gripe suína de 2009, mas com mudanças. Até o momento, ela não apresentou grande ameaça, mas deve ser monitorada “rigorosamente”. O vírus pode crescer e se multiplicar nas células que revestem as vias aéreas humanas.

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