Quarta, 15 de Julho de 2020
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Ceará SAUDADE

Criança usa "capa de proteção" para matar saudade e abraçar o avô, que mora sozinho em Fortaleza

O encontro aconteceu na última quarta-feira (17), após meses sem abraços. O pequeno Miguel, de cinco anos, reencontrou o avô, que não segurou a emoção.

22/06/2020 10h59 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação Umirim Notícias Fonte: G1/CE
A capa de proteção foi feita com plástico, material de trabalho da mãe do menino, Aline — Foto: Arquivo pessoal
A capa de proteção foi feita com plástico, material de trabalho da mãe do menino, Aline — Foto: Arquivo pessoal

“Saudade que não cabe no peito!”. Esta é, sem dúvidas, uma das expressões que mais ganharam sentido durante o isolamento social devido a pandemia da Covid-19. Para driblar o sentimento, Miguel, de apenas cinco anos, usou uma capa protetora para dar o tão aguardado abraço no avô, José Joca, de 74 anos. O idoso, que mora sozinho em Fortaleza, recebeu a surpresa nesta semana e não segurou a emoção do momento.

Na quarta-feira (17), ocorreu o reencontro de surpresa. Miguel aguardou próximo à entrada da casa enquanto seu José descia as escadas. O pequeno usou uma capa de plástico que cobria todo o corpo, feita pela mãe, Aline Joca, para impedir a transmissão do novo coronavírus por gotículas de saliva. A plaquinha colada na proteção trazia uma mensagem simples, mas de alento: “Eu amo você!”. Ao descer as escadas e ver seu único neto, seu José se emocionou ao receber o abraço. “Vovô tava com saudades. Tá todo bonito!”, disse.

A ideia de proporcionar o momento foi da mãe de Miguel, Aline Joca. “Meu pai tem problema de visão, enxerga bem pouco. Por ser mais idoso e morar sozinho, as visitas estão sendo restritas. Só eu estou indo e estamos bem resguardados. O Miguel só havia ido uma vez, e ficado bem de longe. Ele tava com muita saudade. É seu único neto”, conta. A capa foi feita com seu material de trabalho: plástico usado para empacotar pipoca gourmet;

“Vi a sugestão em vídeos nas redes sociais de pessoas de outros países. Disse: ‘vou tentar fazer’. Como no meu trabalho tenho vários tamanhos de sacos, deu tudo certo”, conta. O plástico é higienizado com água sanitária diluída em água.

Cuidados

A família conta que está respeitando o isolamento social e tomando todos os cuidados necessários para preservar a vida dos avós de Miguel, tanto por parte de mãe como por parte de pai. As saídas, segundo Aline, se dão em extrema necessidade e ocorrem para suprir as necessidades dos parentes. Ainda assim, sem contato físico. “Estamos bem resguardados, mas eles cobravam muito este momento por conta da saudade”, conta.

Segundo o pai de Miguel, Claudio Gurjão, o isolamento, necessário, acentuou a saudade entre o filho e os avós. “Quando a gente vai [na casa dos parentes] é para deixar alguma coisa. Levamos ele uma vez e os avós quiseram pegar, mas não podiam. Aí, minha esposa bolou essa ideia”, conta. Nesta semana, os outros avós do pequeno também receberam uma visita, com todos os cuidados. “Ele ficou muito empolgado, é muito agitado. Mas, agora, vamos esperar este momento passar”, ressaltou a mãe.

Especialistas

Apesar de todos os cuidados, especialistas apontam que é preciso ficar atento e que, mesmo com a proteção, pode existir risco de contágio. “Não acho possível uma desinfecção 100% garantida da capa. Há risco de contaminação e transmissão. Há risco, depois, da própria criança ou dos pais se contaminarem ao colocar ou tirar o saco. É uma atitude linda e emocionante de se ver, mas não é isenta de riscos. Então, não acho válido indicar”, aponta a médica Luana Costa.

O médico infectologista pediátrico, Robério Leite, acrescenta que ainda não se tem total ciência de como funciona o comportamento do vírus. “Do ponto de vista de infecção, vai depender muito de como isso é feito e como é essa proteção. Se é um vírus que tem transmissão aérea, temos que avaliar se é uma barreira segura. Outra questão é que sempre há riscos quando envolve plástico e criança. É preciso tomar todos os cuidados para evitar o sufocamento”, avalia o especialistas.

Divulgação
O tão aguardado abraço de avó e neto.

 

 

 

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